
LGBTQIAPN+
Sobre os Filhos do Axé
Sobre os Filhos do Axé
O Grupo Gay Afrodescendente Filhos do Axé surgiu em 2003, com o objetivo de fortalecer a discussão e a construção de políticas públicas voltadas à comunidade negra LGBTQIA+ de terreiro em Alagoas. Em 2010, o grupo passou a ser chamado de Família Hùndésô, consolidando sua atuação como uma organização afro-religiosa comprometida com o acolhimento, a representatividade e a luta por direitos.
Mesmo sendo uma organização de matriz africana, a Família Hùndésô compreende que o terreiro também é um território de diálogo, reflexão e enfrentamento das desigualdades. Por isso, trabalha a temática LGBTQIA+ dentro de sua própria roça, reconhecendo que espiritualidade, identidade, corpo, ancestralidade e resistência caminham juntos.
Apesar de ser um espaço de acolhimento, o terreiro nunca esteve completamente livre de reproduzir preconceitos presentes na sociedade. Mesmo inseridas na estrutura hierárquica do candomblé, pessoas homossexuais travaram, e ainda travam, batalhas para ter seus lugares plenamente reconhecidos. A luta permanece. Ainda assim, ser gay no candomblé é, em muitos casos, infinitamente mais possível do que em religiões marcadas por estruturas mais rígidas e excludentes.
No terreiro, a homossexualidade sempre esteve presente de forma natural e tranquila. Nunca foi tratada como doença ou perversão. É verdade que mentes colonizadas, influenciadas por padrões externos à tradição, tentaram impor repressões, obrigando muitas vezes gays e lésbicas a se esconderem, reprimindo comportamentos, controlando corpos e coibindo desejos. No entanto, em sua essência, o candomblé sempre reconheceu, acolheu e respeitou a condição humana.
Por essa razão, é uma das religiões com maior presença de pessoas homossexuais assumidas, inclusive em posições de liderança. Essa presença reafirma o terreiro como espaço de pertencimento, expressão e dignidade.
A perseguição histórica sofrida pelos povos de matriz africana contribuiu para que seus territórios aprendessem a acolher e compreender aqueles que, de alguma forma, também foram marginalizados. A própria condição da população negra na sociedade ensinou que a união entre todos os grupos discriminados é uma estratégia fundamental de resistência.
Assim, a Família Hùndésô reafirma seu compromisso com a ancestralidade, a diversidade, a liberdade religiosa e a defesa da vida. Sua trajetória nasce do axé, mas também da luta coletiva por respeito, reconhecimento e justiça social.
O que nos move
Cartilha da Diversidade
Com o objetivo de fornecer informações e destacar a importância do respeito aos direitos da população LGBTI+, as Defensoras Públicas Suellen Santos Rodrigues de Aguiar e Roberta Gisbert de Mendonça, em atuação nas comarcas de Mata Grande, Santana do Ipanema, Colônia Leopoldina e Coruripe, lançam, no dia 28/08/2025, uma cartilha digital sobre Diversidade e Direitos da População LGBTQIAPN+.
No material, o leitor poderá encontrar os significados dos termos utilizados como identidade de gênero e orientação afetiva/sexual, informações sobre direitos conquistados pela população, também sobre o combate à LGBTfobia e como a Defensoria Pública pode atuar na garantia dos direitos.
