
Fiéis se despedem de Tata Raminho, grande ícone do candomblé brasileiro
Fiéis se despedem de Tata Raminho de Oxóssi, referência do candomblé brasileiro, mestre da cultura afro-pernambucana e avô espiritual de Doté Elias.
Ler notíciaCelebração da tradição Jeje, realizada em 1º de agosto, resgata saberes ancestrais, fortalece os laços entre gerações e valoriza a espiritualidade de matriz africana.

JOAQUIM GOMES (AL) – A Família Hùndésô realizou, no dia 1º de agosto, as tradicionais obrigações dedicadas à Família Azon, momento de profunda reverência à ancestralidade e de fortalecimento da espiritualidade. A cerimônia foi marcada por orações e pedidos de sabedoria, saúde, paz e prosperidade, reafirmando o compromisso com a preservação dos conhecimentos transmitidos pelos ancestrais.
Na tradição Jeje, a Família Azon, conhecida como a Família da Palha, simboliza a ligação sagrada entre o ser humano e a terra. Ela representa os grãos que alimentam a humanidade, as ervas medicinais que promovem a cura e a terra fértil de onde nasce o sustento das famílias e a continuidade da vida.
A família ancestral tem como grandes referências o Vodun Nanã, reconhecida como a anciã e matriarca da sabedoria, e o Vodun Azansú, guardião dos conhecimentos ligados à terra, à natureza e aos ciclos da existência. Juntos, representam valores como respeito, equilíbrio, memória e preservação dos saberes tradicionais.
Para a Família Hùndésô, reverenciar a Família Azon é renovar o compromisso com a paz, a harmonia e o respeito à ancestralidade, reconhecendo a importância dos ensinamentos que atravessam gerações e fortalecem a identidade cultural dos povos de matriz africana.
A cerimônia também resgata uma prática tradicional vivenciada por muitas famílias: levar os netos para passar o dia na casa dos avós. Esse encontro representa muito mais do que uma visita familiar; é um momento de convivência, afeto e transmissão de conhecimentos.
Durante esse convívio, avós compartilham histórias, ensinamentos, costumes, receitas da culinária tradicional e experiências de vida, contribuindo para que crianças e jovens mantenham viva a memória de seus ancestrais. Essa troca entre gerações fortalece os laços familiares e preserva práticas culturais que fazem parte do patrimônio imaterial das comunidades tradicionais.
Ao celebrar a Família Azon, a Família Hùndésô reafirma que a ancestralidade permanece como um dos principais pilares da cultura Jeje, promovendo o respeito aos mais velhos, à natureza e aos valores que sustentam a vida em comunidade.

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