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Política17 de julho de 2026

Infraestrutura precária prejudica moradores, turismo e ações culturais na zona rural de Joaquim Gomes

Família Hùndésô relata mais de um ano de ações por melhorias nas estradas vicinais de Joaquim Gomes. A falta de infraestrutura afeta moradores, o afroturismo, projetos culturais e o desenvolvimento das comunidades rurais

Infraestrutura precária prejudica moradores, turismo e ações culturais na zona rural de Joaquim Gomes

Família Hùndésô denuncia falta de infraestrutura e cobra melhorias nas estradas vicinais da comunidade Riacho Branco, em Joaquim Gomes

Joaquim Gomes (AL) – Desde 2025, a diretoria da Família Hùndésô, mantenedora do Ponto de Cultura Família Hùndésô, vem buscando diálogo com a Prefeitura de Joaquim Gomes para discutir a recuperação das estradas vicinais que dão acesso às comunidades rurais de Riacho Branco, Formosa e Bola, localizadas na zona rural do município.

Segundo a organização, diversas tentativas de diálogo institucional foram realizadas com o objetivo de garantir melhores condições de mobilidade para as famílias residentes, agricultores, estudantes e visitantes. No entanto, até o momento, as reivindicações não resultaram em ações concretas capazes de solucionar os problemas enfrentados pelas comunidades.

Busca por apoio institucional

Na tentativa de ampliar a rede de apoio, a Família Hùndésô encaminhou, em 20 de abril de 2026, o Ofício nº 054844.0074971/2026 ao Departamento Nacional de Transportes (DNT), solicitando a doação de sobras de materiais que pudessem ser utilizados na recuperação emergencial das estradas. Conforme relata a entidade, não houve retorno ao pedido.

A instituição afirma que compreende que programas do órgão priorizam convênios com administrações públicas municipais, mas lamenta não ter recebido qualquer resposta oficial ao ofício encaminhado.

Denúncia pública sobre a situação das estradas

Em 19 de março de 2026, a Família Hùndésô divulgou um release à imprensa denunciando a interrupção das atividades de turismo rural comunitário em razão da precariedade das estradas de acesso às comunidades. A reportagem foi publicada pelo portal Tribuna Hoje, destacando as dificuldades enfrentadas pela população rural.

Na ocasião, a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Joaquim Gomes exerceu seu direito de resposta, informando que realiza, de forma contínua, intervenções nas estradas da zona rural, priorizando inicialmente os trechos de maior fluxo e aqueles que garantem acesso a escolas e unidades de saúde, além de afirmar que pretende ampliar gradativamente os serviços para todas as regiões do município.

A diretoria da Família Hùndésô esclarece que sua reivindicação não se restringe ao acesso ao Ponto de Cultura. O principal objetivo é a recuperação das estradas vicinais utilizadas diariamente por centenas de moradores das comunidades rurais, garantindo condições dignas de deslocamento para toda a população.

Solicitação ignorada pela Câmara Municipal

Outra iniciativa ocorreu em 10 de março de 2026, quando a organização encaminhou uma solicitação à Câmara Municipal de Joaquim Gomes propondo uma reunião entre vereadores e representantes das comunidades de Riacho Branco, Formosa e Bola para discutir soluções de curto, médio e longo prazo para a infraestrutura rural.

Segundo a entidade, a solicitação não foi protocolada e tampouco recebeu qualquer resposta oficial.

A Família Hùndésô havia preparado uma apresentação técnica contendo diagnóstico da situação, propostas de intervenção e alternativas para melhoria das estradas, buscando construir soluções em conjunto com o Poder Legislativo e os moradores das comunidades afetadas.

Durante a Conferência Municipal de Saúde, realizada posteriormente na Câmara Municipal, o representante da organização, Doté Elias, utilizou a tribuna para denunciar publicamente o que classificou como descaso diante da ausência de resposta ao pedido encaminhado.

Mobilização comunitária

Diante da falta de respostas do poder público, a Família Hùndésô iniciou uma campanha solidária nas redes sociais para arrecadar recursos destinados à compra de cimento, areia e brita, com o objetivo de realizar melhorias emergenciais nas estradas da comunidade.

Também foi promovida uma rifa beneficente que arrecadou R$ 2.524,00. Inicialmente, os recursos seriam utilizados na recuperação dos principais trechos das estradas vicinais.

Entretanto, fortes chuvas registradas em maio destruíram a estrutura de madeira da ponte que dá acesso ao Ponto de Cultura Família Hùndésô, deixando o espaço completamente isolado.

Diante da situação emergencial, a diretoria decidiu redirecionar os recursos arrecadados para a reconstrução da cabeceira da ponte.

Investimento na reconstrução da ponte

A obra contou com a utilização de aproximadamente 40 sacos de cimento, além do frete dos materiais, totalizando cerca de R$ 2.000,00 em insumos.

Também foram necessários 15 dias de trabalho entre pedreiro e ajudante, com custo de R$ 3.450,00.

O investimento total foi de R$ 5.450,00, sendo:

  • R$ 2.524,00 provenientes da rifa solidária;
  • R$ 2.926,00 complementados pelos próprios membros da Família Hùndésô.

Mesmo após a reconstrução da cabeceira da ponte, a organização informa que ainda enfrenta dificuldades de acesso, especialmente durante períodos de chuva.

Impactos sociais e culturais

Segundo a diretoria da Família Hùndésô, as más condições das estradas continuam prejudicando diretamente o desenvolvimento da comunidade.

As oficinas culturais do Ponto de Cultura Família Hùndésô precisaram ser transferidas temporariamente para outros espaços devido à dificuldade de acesso, enquanto o projeto de Afroturismo Comunitário permanece interrompido.

A organização ressalta que essas iniciativas geram oportunidades de formação, fortalecem a identidade cultural afro-indígena, incentivam o turismo de base comunitária e movimentam a economia local, beneficiando diversas famílias da comunidade Riacho Branco.

Compromisso com o desenvolvimento comunitário

Apesar das dificuldades enfrentadas, a Família Hùndésô afirma que continuará buscando parcerias institucionais e apoio de órgãos públicos, entidades e da sociedade civil para garantir melhorias nas estradas vicinais e promover o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais de Joaquim Gomes.

"A nossa luta nunca foi apenas pelo acesso ao Ponto de Cultura. Defendemos infraestrutura para todas as famílias que vivem na zona rural, garantindo dignidade, mobilidade, acesso aos serviços públicos e oportunidades de desenvolvimento social, cultural e econômico para toda a comunidade", destaca a diretoria da instituição.

Fotos da ação

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