Família Hùndésô
← Notícias
Política01 de outubro de 2026

Manual do Eleitor 2026: pense antes de votar e conheça a importância da representatividad

Como avaliar candidatos, propostas e históricos e entender o papel da representatividade negra, indígena, quilombola, dos povos de terreiro e da população LGBTQIAPN+ nas eleições

Manual do Eleitor 2026: pense antes de votar e conheça a importância da representatividad

As eleições são um dos principais instrumentos de participação política em uma democracia. Antes de confirmar o voto, o eleitor pode pesquisar propostas, conhecer a trajetória das candidaturas, verificar informações oficiais e refletir sobre quais projetos e representantes considera mais próximos de suas prioridades.

Nas Eleições 2026, essa reflexão também envolve uma questão importante: quem está ocupando os espaços de representação política?

A presença de pessoas negras, indígenas, quilombolas, integrantes de comunidades tradicionais, povos de terreiro e pessoas LGBTQIAPN+ nas disputas eleitorais amplia a diversidade de experiências presentes no processo político.

Isso não significa que o eleitor deva votar automaticamente em alguém apenas por pertencer a determinado grupo. A decisão continua sendo individual. A questão é reconhecer que representatividade também faz parte do debate democrático.

Por que a representatividade importa?

O Brasil é formado por diferentes povos, comunidades, identidades, culturas e trajetórias sociais.

Quando diferentes segmentos da população participam da política como eleitores, candidatos, dirigentes partidários e representantes eleitos, novas experiências e demandas podem chegar aos espaços de decisão.

A representatividade pode contribuir para colocar no debate público temas relacionados a:

  • combate ao racismo;
  • igualdade racial;
  • direitos dos povos indígenas;
  • direitos das comunidades quilombolas;
  • proteção dos povos e comunidades tradicionais;
  • liberdade religiosa;
  • combate à intolerância religiosa;
  • políticas culturais;
  • proteção dos territórios tradicionais;
  • educação para as relações étnico-raciais;
  • direitos da população LGBTQIAPN+;
  • políticas de inclusão social;
  • juventude;
  • mulheres negras e indígenas;
  • agricultura familiar e desenvolvimento sustentável;
  • acesso à saúde, educação e infraestrutura.

Entretanto, pertencer a um determinado grupo não garante, por si só, que uma candidatura defenderá determinadas pautas. Por isso, o eleitor deve conhecer as propostas e o histórico de cada candidatura.

Pessoas negras na política: presença e participação

O TSE considera como pessoas negras as pessoas que se autodeclaram pretas ou pardas para fins das estatísticas eleitorais.

Em agosto de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou dados referentes a 20.560 candidaturas analisadas para fins de distribuição de recursos públicos. Desse total, 10.206 eram candidaturas de pessoas negras, correspondendo a 49,64%.

Os números ajudam a mostrar a dimensão da participação racial nas eleições, mas também permitem outra reflexão: quantas dessas candidaturas representam as demandas sociais existentes em cada estado e município?

O eleitor pode pesquisar individualmente as candidaturas e analisar suas propostas antes de tomar uma decisão.

Candidaturas indígenas

A participação indígena também ocupa espaço crescente no processo eleitoral.

Para as Eleições 2026, o TSE registrou 191 candidaturas de pessoas indígenas na base utilizada para o cálculo dos percentuais de candidaturas divulgado pelo Tribunal.

Além da presença de candidatos indígenas, o próprio eleitorado indígena cresceu.

Segundo dados do TSE, o número de eleitores indígenas passou de 155.661 em 2024 para 287.157 em 2026, um crescimento de 84%.

Esse aumento reforça a importância da participação política dos povos indígenas e da presença de suas demandas no debate eleitoral.

Entre os temas que podem aparecer nas propostas estão território, proteção ambiental, educação indígena, saúde, cultura, línguas tradicionais e políticas públicas específicas.

Candidaturas quilombolas

As comunidades quilombolas também fazem parte da diversidade política brasileira.

O TSE informou que o eleitorado quilombola passou de 95.409 pessoas em 2024 para 188.371 em 2026, praticamente dobrando no período.

A presença quilombola no processo eleitoral pode trazer para o debate público questões relacionadas a:

  • reconhecimento e proteção territorial;
  • acesso à educação;
  • saúde nas comunidades;
  • estradas e transporte;
  • saneamento;
  • agricultura familiar;
  • segurança alimentar;
  • preservação cultural;
  • geração de renda;
  • combate ao racismo;
  • políticas públicas para comunidades tradicionais.

Para o eleitor, entretanto, o ponto principal continua sendo pesquisar o que cada candidatura efetivamente propõe.

Povos de terreiro e liberdade religiosa

Os povos de terreiro também fazem parte da diversidade cultural e religiosa brasileira.

Comunidades de Candomblé, Umbanda, Jurema e outras tradições de matriz africana enfrentam debates relacionados à liberdade religiosa, preservação cultural, proteção do patrimônio imaterial, racismo religioso e respeito às comunidades tradicionais.

O eleitor pode observar como as candidaturas tratam temas como:

Liberdade religiosa: existe compromisso com o direito constitucional à liberdade de crença?

Combate à intolerância religiosa: existem propostas concretas para enfrentar a violência e a discriminação contra religiões de matriz africana?

Cultura: existe reconhecimento das manifestações culturais dos povos de terreiro?

Patrimônio: existem propostas para proteger espaços sagrados, acervos, festas, tradições e conhecimentos ancestrais?

Políticas públicas: as comunidades de terreiro aparecem nas propostas de governo ou nas políticas destinadas aos povos e comunidades tradicionais?

A Constituição Federal garante a liberdade de consciência e de crença e o livre exercício dos cultos religiosos.

Por isso, o debate eleitoral também pode ser uma oportunidade para o eleitor conhecer o posicionamento das candidaturas sobre liberdade religiosa e respeito à diversidade cultural.

População LGBTQIAPN+ e participação política

A população LGBTQIAPN+ também participa do processo eleitoral como eleitorado, militância, movimentos sociais e candidaturas.

A participação de pessoas LGBTQIAPN+ na política pode levar ao debate temas relacionados a:

  • combate à discriminação;
  • segurança;
  • educação;
  • saúde;
  • empregabilidade;
  • direitos civis;
  • proteção contra violência;
  • respeito à identidade de gênero;
  • políticas para juventude;
  • inclusão social.

Assim como nos demais casos, a identidade de uma pessoa candidata não deve ser utilizada como substituto da análise política.

O eleitor pode perguntar:

Quais propostas essa candidatura apresenta?

Qual é seu histórico?

Quais compromissos estão registrados?

Como pretende transformar suas propostas em políticas públicas?

Representatividade não significa voto automático

Uma das principais reflexões deste manual é justamente esta:

Representatividade é importante, mas o eleitor deve conhecer a candidatura antes de votar.

Uma pessoa pode ser negra, indígena, quilombola, integrante de comunidade de terreiro ou LGBTQIAPN+ e possuir diferentes posições políticas.

Da mesma forma, candidatos que não pertencem a determinado grupo podem apresentar propostas relacionadas às suas demandas.

Por isso, o eleitor pode considerar simultaneamente representatividade, propostas, trajetória, compromissos e capacidade de atuação dentro das atribuições do cargo.

Cinco perguntas para fazer antes de votar

Antes de escolher uma candidatura, procure responder:

1. Quem é a pessoa candidata?

Conheça sua trajetória profissional, política e social.

2. O que ela promete?

Leia as propostas e procure identificar objetivos concretos.

3. O candidato conhece a realidade da população que pretende representar?

Observe sua atuação, participação social e histórico público.

4. Como pretende realizar suas propostas?

Uma promessa precisa ser analisada considerando orçamento, competência do cargo, legislação e necessidade de articulação com outras instituições.

5. As informações são verdadeiras?

Não tome uma decisão com base apenas em vídeos, memes, mensagens de WhatsApp ou publicações de redes sociais.

Onde pesquisar candidatos nas Eleições 2026?

Uma das principais ferramentas oficiais é o DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral.

A plataforma permite consultar informações sobre candidaturas, partidos, situação do registro, número, propostas, bens declarados, arrecadação e gastos de campanha, entre outros dados. A consulta pode ser feita por estado, município e cargo.

O TSE também mantém um Portal de Dados Abertos com conjuntos de dados das Eleições 2026, incluindo informações sobre candidaturas, bens, coligações, vagas, redes sociais, fotos e propostas de governo.

Não escolha apenas pela propaganda

Campanhas eleitorais trabalham com imagens, discursos, vídeos, slogans e mensagens capazes de provocar emoções.

Mas uma eleição exige mais do que assistir a uma propaganda.

Antes de votar, procure:

propostas + histórico + informações oficiais + prestação de contas + atuação pública.

Quanto mais informações verificáveis o eleitor tiver, maior será sua capacidade de fazer uma escolha consciente.

Cuidado com a desinformação

Durante o período eleitoral, informações falsas podem circular rapidamente.

Antes de compartilhar uma acusação ou informação sobre qualquer candidato, procure a fonte original e confira os dados em canais oficiais.

O TSE disponibiliza ferramentas e canais específicos para informações eleitorais, incluindo o DivulgaCandContas, o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral e o aplicativo e-Título.

A diversidade também faz parte da democracia

A democracia não é formada apenas pelo ato de votar.

Ela envolve participação, representação, liberdade de expressão, respeito às diferenças, fiscalização dos eleitos e acesso à informação.

Negros, indígenas, quilombolas, povos de terreiro, pessoas LGBTQIAPN+, mulheres, pessoas com deficiência, jovens, idosos e outros segmentos sociais fazem parte da sociedade brasileira e possuem diferentes experiências e demandas.

A presença dessas pessoas na política pode ampliar a diversidade dos debates e dos espaços de decisão.

Mas cabe ao eleitor conhecer cada candidatura, comparar propostas e decidir livremente.

Antes de apertar CONFIRMA

Pare alguns minutos e pergunte a si mesmo:

☐ Eu conheço as propostas?

☐ Conheço o histórico da candidatura?

☐ Sei quais são as atribuições do cargo?

☐ Consultei informações oficiais?

☐ Verifiquei se as informações que recebi são verdadeiras?

☐ Conheço o posicionamento da candidatura sobre temas importantes para minha comunidade?

☐ Estou decidindo livremente?

Se alguma resposta for “não”, talvez seja hora de pesquisar mais.

O voto não termina na urna

Depois da eleição, começa outra etapa da cidadania: acompanhar quem foi eleito.

O eleitor pode acompanhar projetos, votações, discursos, políticas públicas, gastos, compromissos assumidos e decisões dos representantes.

A democracia não acontece somente no dia da votação.

Ela continua todos os dias.

Informação, diversidade e participação

Nas Eleições 2026, o eleitor tem à disposição ferramentas oficiais para conhecer candidaturas e acompanhar informações eleitorais.

A escolha pertence a cada cidadão.

O importante é que essa escolha seja feita com informação, liberdade, responsabilidade e consciência sobre a importância da representação política em uma sociedade diversa como a brasileira.

Antes de votar, conheça. Antes de compartilhar, confira. Antes de escolher, pense.

Seu voto é seu. Sua decisão também.

Notícias relacionadas

Ver todas
3º Encontro da Rede de Acervos Afro-brasileiros reúne iniciativas de memória, cultura e patrimônio negro
Política28 de setembro de 2026

3º Encontro da Rede de Acervos Afro-brasileiros reúne iniciativas de memória, cultura e patrimônio negro

Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, em São Paulo, reuniu museus, arquivos, bibliotecas, terreiros, quilombos, pontos de cultura e outras iniciativas dedicadas à preservação da memória afro-brasileira

Ler notícia
Joaquim Gomes debate ações da PNEERQ e criação de comissão para fortalecer educação quilombola
Política21 de setembro de 2026

Joaquim Gomes debate ações da PNEERQ e criação de comissão para fortalecer educação quilombola

Reunião na Secretaria Municipal de Educação discutiu a construção de um plano de ações para 2027, a participação das comunidades quilombolas e a criação de um protocolo étnico-racial no município

Ler notícia
Família Hùndésô busca parceria com Seagri para fortalecer agricultura familiar em Riacho Branco
Política19 de agosto de 2026

Família Hùndésô busca parceria com Seagri para fortalecer agricultura familiar em Riacho Branco

Família Hùndésô apresenta projeto Saberes Quilombolas à SEAGRI e discute agricultura familiar, hortas, mulheres rurais e políticas públicas para Riacho Branco.

Ler notícia

Fortaleça essa história

Apoie a Família Hùndésô e contribua para a continuidade de ações culturais, sociais e comunitárias.

Apoie agora